quarta-feira, 31 de agosto de 2016

16 vozes para contar o Brasil



16 vozes para contar o Brasil

Da oralidade ao pop passando pela vanguarda e a crítica social, vozes que retratam um país



CAMILA MORAES
30 JUL 2016 - 09:40 COT

Da oralidade ao pop passando pela vanguarda e a crítica social, a literatura viva do Brasil é tão ampla e diversa como o próprio país. 16 vozes contemporâneas nos dão um mosaico de um país poliédrico.


Adriana Lisboa, uma escritora sem amarras

Romancista, contista e autora infanto-juvenil, Adriana Lisboa (Rio de Janeiro, 1970) segue fluídos caminhos literários. Essa fluidez vem de seu interesse em outras artes, sobretudo a música, sua área de formação, e da visão de que são parcas as fronteiras entre os gêneros literários. Deu largada à carreira de escritora quando decidiu fazer de próprio punho as histórias que lia para o filho. Sua estreia é com Os fios da memória (1999) – um flerte com o romance histórico –, e aquele que a consagrou chama-se Sinfonia em branco– uma premiada história de sofrimento familiar. Depois de períodos na França e no Japão, Adriana vive hoje nos EUA, onde se dedica à literatura e à pesquisa. Dessas andanças vem o olhar estrangeiro, outro traço da fluidez dessa escritora essencial.

A oralidade de Ronaldo Correia de Brito

Romancista e contista, Ronaldo Correia de Brito (Saboeiro, 1951) é a principal voz literária a perpetuar, hoje, as histórias populares do nordeste brasileiro – tão marcadas pela oralidade, assim como sua obra. Médico ao mesmo tempo que é escritor, diz que a medicina o coloca “diante do espetáculo da vida e da morte”, enquanto a literatura permite a todos “preencher as lacunas da história”. É um autor prolífico, ainda assim começa a publicar tarde, inseguro de ser um escritor a mais. Estreia com uma elogiada coletânea de contos,Faca (2003), que abre caminho para sua consagração com Galileia(2008), romance que se esmera em retratar um Brasil dos senhores de terra. Ainda que seus protagonistas sejam homens, o livro opera na órbita das mulheres – que, para Correia de Brito, são a alma do cotidiano que inspira sua obra.

O canibalismo artístico de Alberto Mussa

Alberto Mussa (Rio de Janeiro, 1961) escapou de se tornar matemático para virar um dos nomes mais valiosos da literatura brasileira, com uma obra sem paralelo no país. Romancista, contista, tradutor de tendências canibais, Mussa, é um autor que dá voz aos mais desfavorecidos do caldeirão cultural brasileiro. Seus personagens têm raízes indígenas, africanas e árabes. Estreia na literatura com Elegbara (1997), um livro de contos inspirado pela mitologia dos nagôs, etnia africana responsável por trazer o candomblé ao Brasil. Sua entrega literária mais recente é A primeira história do mundo (2015), o terceiro título de uma pentalogia de livros policiais. Nela, Mussa conta a história do Rio de crimes cometidos em diferentes épocas, partindo de um caso de 1567, no qual um serralheiro foi encontrado morto com sete flechas.

Ana Martins Marques, poesia que acolhe

No borbulhante mar nacional de novos poetas, a voz acolhedora de Ana Martins Marques (Belo Horizonte, 1977) vai contra todo projeto poético literalista, com excessos de pompa. Assim, Marques contribui com a cumplicidade poeta-leitor, tão desejada na poesia. Seu despojamento se vê no registro informal da língua, nos temas cotidianos e na modéstia daquele que não sabe ser poeta – mas que escreve, na verdade, respaldado por uma paixão e uma experiência da linguagem profundas, como é o caso dessa escritora mineira. O livro das semelhanças é a terceira e mais recente coletânea de poemas da autora, vinda dos premiados A vida submarina e Da arte das armadilhas. É uma das vozes mais originais da poesia brasileira atual.

O humor certeiro de Antonio Prata

Com 10 livros publicados, a maioria de contos e crônicas, Antonio Prata (São Paulo, 1977), fala do cotidiano à moda brasileira, com doses certeiras de crítica e humor. Passou à luz dos holofotes comMeio intelectual, meio de esquerda, premiado livro de 2010 em que se define com as palavras do título enquanto usa pontos de partida triviais que inspiram textos saborosos. Em 2012, foi um dos vinte autores selecionados para a edição Os melhores jovens escritores brasileiros pela Granta. Devoto da crônica como foram gigantes brasileiros do porte de Rubem Braga e Nelson Rodrigues, escreve na imprensa e é ativo roteirista de TV. Em seu livro mais recente, Nu de botas, ele recria a história de sua infância e retrata os pais, ambos escritores.

Um quê de tragédia em Beatriz Bracher

Antes de se tornar uma respeitada romancista e contista eminentemente política, Beatriz Bracher (São Paulo, 1961) debutou no meio literário fundando uma revista e trabalhando com editora até 2000. Dois anos depois, ela decide passar ao outro lado do balcão e lança seu primeiro livro, o romance Azul e dura. Os contos, que Bracher revela serem sua paixão literária, vêm em 2009, com o belo Meu amor. Ao mesmo tempo, estreia como roteirista de cinema. Sua obra é marcada por questões éticas, implicações políticas, preocupação estética e experimentação formal – e pela violência. “Já me perguntaram”, conta a autora, “por que escrevo coisas tão tristes”. “Acho que a literatura precisa de algo trágico", foi a resposta. Anatomia do paraíso, de 2015, é seu livro mais recente.

Chacal, poesia rock ‘n roll

Visto ad eternum como “poeta marginal”, Chacal rejeita os rótulos que transformem seus escritos (poemas, crônicas e letras de música) em “objeto de museu”. O que ele – Ricardo de Carvalho Duarte (Rio, 1951) – assume é uma poesia rock ‘n roll, produzida sempre na adversidade e para extrapolar o papel. Tem razão. Seu primeiro livro éMuito prazer, Ricardo, lançado em 1971 numa edição mínima mimeografada. Nesses moldes seguiu, organizando recitais de poesia com música e dança. Provocador, é o poeta dos jogos de palavra e do desejo de se aproximar aos leitores, aos quais avisa: “Eu não queria ser Drummond, Bandeira. Queria ser Mick Jagger, Bob Dylan, Caetano, Gil, Chico". Acaba de lançar uma coletânea de poemas, Tudo (e mais um pouco) - Poesia reunida.

A “escrevivência” Conceição Evaristo

Conceição Evaristo (Belo Horizonte, 1946), romancista, contista e poeta, tem uma obra marcada pela “condição de mulher negra”. Em meio à miséria da infância em uma favela ao lado de um bairro nobre de Belo Horizonte, a ficção foi indispensável à sobrevivência. Sua literatura – que Conceição define como “escrevivência” – vem depois de trabalhar como empregada doméstica até 1971, quando conclui os estudos básicos, e de se mudar para o Rio de Janeiro em 1973. Lá, onde vive até hoje, estuda Letras e passa a escrever em revistas sobre afrobrasilidade. A estreia literária vem em 1990, com a série Cadernos Negros, em que passa a encarar sua ancestralidade de maneira crítica, escrevendo sobre a cultura negra de forma lírica e política. Seu livro fundamental é Ponciá Vicêncio (2003), espécie de romance de formação feminino e negro.

Cristóvão Tezza, requinte e solidez

Com uma obra sólida de 14 romances e outros de contos, crônicas e ensaios, Cristóvão Tezza (Lages, 1952) é um dos mais importantes autores da literatura brasileira contemporânea. Dono de um texto requintado, exímio criador de diálogos, escreve intricados enredos na fronteira entre o real e o fictício, com notável capacidade de reinventar o passado. Em 1988, publica seu primeiro livro de ficção,Trapo, que o torna reconhecido nacionalmente. Sucesso inconteste, seu multipremiado O filho eterno(2007) amplia suas fronteiras como escritor ao retratar o nascimento de um filho como momento de ruptura na vida de um casal. Amplamente publicado em outros idiomas, Tezza é autor de uma autobiografia literária, O espírito da prosa.

Rubem Fonseca, um gigante brasileiro

Contista, romancista e roteirista famoso por sua reclusão e aversão a entrevistas, Rubem Fonseca (Juiz de Fora, 1925) ingressou na carreira política e na polícia antes de assumir a carreira de escritor. Radicado no Rio desde a infância, estreia em 1963 com o livro de contos O prisioneiro, e por duas décadas se dedica quase exclusivamente a esse gênero – que deve a ele, no Brasil, sua grande transformação na segunda metade do século XX. Feliz ano novo(1975) é seu livro de contos mais celebrado. Em 1983, lança o romance A grande arte, que lhe abre caminho para a fama de gigante da literatura brasileira. Na última década, a obra deste best sellerpassa por uma fase de reconhecimento no exterior.

Lucrecia Zappi, com o pé na estrada

Lucrecia Zappi (Buenos Aires, 1972), uma escritora-viajante, mudou-se com a família aos quatro anos para São Paulo e passou parte da adolescência no México e outra, já adulta, na Holanda. Hoje está em Nova York, de onde escreve livros e crônicas publicadas na imprensa e faz traduções literárias. Em Onça preta (2013), seu primeiro romance, situado no sertão do Nordeste brasileiro, lança-se de encontro ao outro de maneira observadora – como a autora está acostumada a fazer na vida real. Sua personagem é uma estudante paulistana que sai em busca do pai, apostando na estrada e na aridez da paisagem para esclarecer as dúvidas sobre sua existência. Tem um novo romance, Acre, que virá em 2017. É autora também de um livro de gastronomia, Mil folhas (2009), que investiga o açúcar na mesa de diversas culturas.

Daniel Galera fala a língua do pop

Romancista, contista e tradutor, Daniel Galera (São Paulo, 1979) é um escritor robusto que fala a língua do pop. Sua carreira literária coincide com o início da boom da Internet no Brasil, o que o encaminha para a vanguarda das relações entre a literatura e a rede. Seu universo narrativo abarca adolescentes e jovens adultos contemporâneos, vivendo suas relações e experimentando violência no contexto da cidade – sobretudo Porto Alegre, para onde se mudou com os pais ainda pequeno. Debuta com a coletânea de contos Dentes guardados, publicada através de uma editora independente fundada com um amigo em 2001. Com Mãos de cavalo(2005), romance de verve coming to age, traduzido em vários idiomas, dá um grande salto literário, facilmente reconhecível em sua última entrega, Barba ensopada de sangue(2012), em que demonstra um senso de ritmo impecável. Seus livros e contos foram adaptados para cinema, teatro e histórias em quadrinhos.

Maria Valéria Rezende, amiga de García Márquez e Fidel

Maria Valéria Rezende (Santos, 1942) fez-se freira muito jovem e, em décadas de serviço, sempre se dedicou à educação popular. Foi convidada a morar na Nicarágua no fim da década de 1970 para cuidar da alfabetização de agricultores. Graças a isso, Fidel Castro contratou-a para ensinar aos trabalhadores dos canaviais cubanos. Conviveu muito não só com o comandante, mas com o escritor Gabriel García Márquez, assíduo na ilha. O livro Vasto mundo é sua estreia na vida literária, que desbravou, mais que tudo, escrevendo livros infanto-juvenis. A fama repentina e inesperada veio com o premiado romance Quarenta dias, lançado após o sucesso de sua primeira incursão no gênero, O voo da guará vermelha. Ambos têm em comum a escrita inventiva e um patente conhecimento da realidade que abordam – o mundo das pessoas comuns.

O romance social, por Luiz Ruffato

Grande representante do romance social no panorama atual da literatura brasileira, Luiz Ruffato (Cataguases, 1961) orienta sua obra com uma premissa claramente política. Seu foco é a classe trabalhadora, para a qual olha sem paternalismos. O engajamento literário do autor encontra raízes em sua própria história: Ruffato é filho de um pipoqueiro e de uma lavadeira e teve diferentes ocupações, entre elas a de operário da indústria têxtil, antes de se dedicar ao jornalismo e à ficção. Seu primeiro romance –Eles eram muitos cavalos (2001) – é seu maior sucesso. Tem 70 fragmentos, ligados pelo fato de que suas histórias transcorrem no mesmo dia em São Paulo. Ruffato, colunista do EL PAÍS, escreveu também uma pentalogia sobre operariado nacional e é organizador de antologias de contos, como 25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira (2005).

Todos os louros a Milton Hatoum

O que se diz no Brasil é que, em ano em que Milton Hatoum (Manaus, 1952) lança livro, os demais esquecem os prêmios literários. Considerado um dos grandes escritores vivos do país, é romancista, contista, professor e tradutor. Seu primeiro romance,Relato de um certo oriente, sai (premiado) em 1986, pouco antes de ele passar a publicar, em periódicos do Brasil e da Europa, artigos e ensaios acerca de autores brasileiros e latino-americanos. Seu segundo romance, Dois irmãos, de 2000, é seu mais celebrado. A melhor descrição de sua literatura é: "Vai do meio ambiente ao vazio da alma, fundindo o social e o existencial". Econômico e poético, Hatoum escreve histórias particulares sem descuidar o contexto social e histórico. Sua obra se concentra no norte do Brasil, mirando a integração de imigrantes Oriente Médio e as repercussões da ditadura brasileira na região.

O talento de Estevão Azevedo

Inscrito no melhor da tradição do romantismo brasileiro e do realismo modernista nordestino, Estevão Azevedo (Natal, 1978) é uma das grandes promessas literárias nacionais. Romancista de mão cheia, apesar de jovem, estreou nos contos, com dois livros publicados antes da chegada de Nunca o nome do menino – seu romance de estreia, no qual uma mulher descobre que é personagem de um livro. Para sua segunda entrega de largo fôlego,Tempo de espalhar pedras (2015), Azevedo vai além. O autor, que se formou jornalista e é editor, debruçou-se no universo do garimpo, buscando na literatura sobre o tema as bases de uma história de bases reais. Na contracorrente da produção literária de hoje, muito urbana e cosmopolita, seu premiado livro fala de cobiça, do desejo que não se materializa sem consequências.






terça-feira, 30 de agosto de 2016

A América Latina se despede de Juan Gabriel, o ‘Divo de Juárez’


Juan Gabriel


A América Latina se despede de Juan Gabriel, o ‘Divo de Juárez’

O cantor mexicano morreu de um infarto em Santa Mônica, Califórnia


SONIA CORONA
México 28 AGO 2016 - 21:23 COT


México perdeu seu Divo de Juárez e o compositor da história sentimental do país nas últimas quatro décadas. Alberto Aguilera Valadez, o cantor e compositor mexicano conhecido como Juan Gabriel, faleceu às 11h30 de domingo depois de sofrer um infarte em sua casa em Santa Mônica, Califórnia. O cantor, de 66 anos, tinha viajado para os Estados Unidos para fazer uma série de concertos de sua turnê MeXXIco es todo em Los Angeles.
Juan Gabriel foi um símbolo da cultura popular mexicana com um dos repertórios mais abundantes de composições em espanhol. Sua origem humilde e sua difícil ascensão à fama inspirou suas canções mais conhecidas. Aguilera Valadez nasceu em Parácuaro (Estado de Michoacán) em 7 de janeiro de 1950. O mais novo de 10 filhos viveu seus primeiros anos na pobreza e depois da morte de seu pai migrou com a mãe para Ciudad Juárez (Estado de Chihuahua). Ali, entrou em uma instituição de cuidados para menores, de onde fugiu aos 13 anos. A partir de então começou um périplo pelas ruas: vendeu produtos de madeira e cantou em bares na fronteira com os Estados Unidos.
Juan Gabriel e Rocío Durcal

Sua vida poderia ter sido destinada ao abandono nas ruas, mas Alberto Aguilera Valadez começou sua carreira em centros noturnos. Aos 21 anos, conseguiu seu primeiro contrato com a gravadora RCA e decolou com uma discografia meteórica que lhe permitiu vender mais de 100 milhões de álbuns em todo o mundo. Algumas de suas canções foram traduzidas para o português, japonês e italiano.
Em 1990, Juanga se tornou o primeiro cantor de música popular a se apresentar no Palácio de Belas Artes, a casa de espetáculos mais importante do México, ao lado da Orquestra Sinfônica Nacional. Entre seu repertório estão músicas comoHasta que te conocíAsí fueQueridaEl Noa Noa e Se me olvidó otra vez. Suas canções passam por vários gêneros musicais que vão desde o ranchero até os boleros, o pop, a salsa e o mariachi. Seu maior sucesso foi Amor Eterno, umaranchera composta depois da morte de sua mãe em 1974 e gravada em 1990 em um dueto com a cantora espanhola Rocío Durcal.
Juan Gabriel é o compositor mexicano com o maior número de composições musicais registradas —cerca de 1.500 canções. Seus concertos são um carnaval de sons e lembranças: o casal que se apaixona com suas canções e o casal que se separa com elas. No ano passado, apresentou uma série de 16 concertos na Cidade do México para os quais criou espetáculos de mais de duas horas nas quais além de interpretar suas canções mais famosas também dançava.

Sua vida pessoal sempre foi objeto de polêmica nas revistas de fofocas. O cantor teve quatro filhos com uma de suas amantes, mas nunca foram casados. Foi um dos primeiros artistas mexicanos a admitir publicamente sua homossexualidade. Diante da pergunta do jornalista Fernando del Rincón sobre sua orientação sexual em 2002, Juan Gabriel colocou um fim a esta especulação respondendo: “Dizem que o que se vê não se pergunta, filho”. As acusações de abuso sexual contra o cantor também encheram as páginas dos jornais nos anos seguintes, sem que nenhuma delas fosse adiante nos tribunais.
O cantor fez seu último concerto na sexta-feira passada, dia 26, no Fórum de Inglewood em Los Angeles. Na apresentação de mais de duas horas, parecia emocionado e prestou uma homenagem a Durcal, com quem cantou uma série de duetos na década de 80, segundo informa o site dos prêmios Billboard. As crônicas de sua última apresentação falam de um Divo de Juárez “feliz, emocionado, radiante”.
O registro mais fiel de sua vida é a série de televisão Hasta que te conocí, que estreou este ano e na qual o ator colombiano Julián Román interpreta o Divo de Juárez. Román contou em julho a este jornal que o cantor reuniu os produtores em sua casa em Cancún para lhes contar sua vida. Paradoxalmente, o último episódio será veiculado na noite deste domingo, 28 de agosto, na televisão mexicana.

domingo, 28 de agosto de 2016

A ‘nação Phelps’, à frente de 150 países

Michael Phelps

A ‘nação Phelps’, à frente de 150 países

Com a Rio 2016, nadador dos EUA conquista mais ouros que Argentina e fica a 7 ouros do Brasil


GUILHERME PADIN
São Paulo 23 AGO 2016 - 17:41 COT

A Olimpíada do Rio de Janeiro foi a última do maior atleta olímpico de todos os tempos. Em cinco participações, Michael Phelps conquistou mais medalhas de ouro que mais de 150 países em toda a história dos Jogos Olímpicos: se despediu do Rio com 23 ouros, apenas 7 a mais do que o Brasil conseguiu em todas suas participações. Considerando todos os esportes e as olimpíadas já disputadas, países como Argentina, México, Portugal, Áustria e Índia chegaram menos vezes do que Phelps ao lugar mais alto do pódio.
Foram 16 anos e cinco olimpíadas para o nadador norte-americano, que chegou ao Brasil com 18 ouros e deixou o país com 23 – Phelps ganhou ainda uma prata. Os números limpos não traduzem a trajetória real do nadador, com altos e baixos, desde o garoto de sete anos que sofria de TDAH (transtorno de déficit de atenção com hiperatividade) até jovem pai que coroou sua reinvenção nos Jogos do Rio.

A natação foi sua primeira porta para se lidar com o transtorno de atenção. O esporte, praticado por suas irmãs mais velhas Whitney e Hillary, foi um alento: conseguia se concentrar no exercício e ainda gastava energia. A primeira oportunidade em uma olimpíada veio em 2000, em Sydney. Aos 15 anos, ele chegou às finais dos 200 m borboleta e garantiu o quinto lugar, resultado expressivo para um atleta tão novo.
Quatro anos e alguns títulos depois, em Atenas, foi sua afirmação como nadador. Se restavam dúvidas sobre seu potencial, Phelps liquidou todas elas na Grécia. Em 2004, foram duas medalhas de bronze e seis de ouro, que o qualificaram como estrela e favorito para os Jogos seguintes, em Pequim. Na China, a expectativa e o favoritismo não assustaram a super-estrela norte-americana. Ele foi além do esperado e garantiu incríveis oito medalhas de ouro, superando o nadador e compatriota Mark Spitz como o atleta que mais subiu ao pódio em uma mesma edição de jogos olímpicos.






PHELPS, A 39ª NAÇÃO MAIS VENCEDORA DA HISTÓRIA DOS JOGOS


1ª: Estados Unidos – 1022 ouros
2ª: União Soviética* – 395 ouros
3ª: Grã-Bretanha – 263 ouros
4ª: China – 227 ouros
5ª: França – 212 ouros
6ª: Itállia – 206 ouros
7ª: Alemanha – 191 ouros
8ª: Hungria – 175 ouros
9ª: Alemanha Oriental* – 153 ouros
10ª: Rússia – 149 ouros
11ª: Austrália – 147 ouros
12ª: Suécia – 145ouros
13ª: Japão – 142 ouros
14ª: Finlândia – 101 ouros
15ª: Coreia do Sul – 90 ouros
16ª: Romênia – 89 ouros
17ª: Holanda – 85 ouros
18ª: Cuba – 77 ouros
19ª: Polônia – 67 ouros
20ª: Canadá – 63 ouros
21ª: Alemanha Ocidental* – 56 ouros
21ª: Noruega – 56 ouros
23ª: Bulgária – 51 ouros
24ª: Tchecoslováquia* – 49 ouros
24ª: Suíça – 49 ouros
26ª: Nova Zelândia – 46 ouros
27ª: Equipe Unificada (pós-União Soviética)* - 45 ouros
27ª: Dinamarca – 45 ouros
29ª: Espanha – 44 ouros
30ª: Bélgica – 40 ouros
31ª: Turquia – 39 ouros
32ª: Ucrânia – 35 ouros
33ª: Grécia – 33 ouros
34ª: Quênia – 31 ouros
35ª: Brasil – 30 ouros
36ª: Equipe Unida da Alemanha* - 28 ouros
37ª: Iugoslávia – 26 ouros
38ª: África do Sul – 25 ouros
39ª: Phelps – 23 ouros
39ª: Jamaica – 23 ouros
41ª: Etiópia – 22 ouros
42ª: Argentina – 21 ouros
* Equipes formadas para os Jogos ou de nações já extintas

No caminho da fama

Acreditava-se que os Jogos de Londres, em 2012, seriam o auge do atleta, mas a fama acabou se mostrando mais um obstáculo para Phelps. Um ano após a fantástica apresentação na China, uma foto do nadador usando um bong (aparelho utilizado para se fumar cannabis e outras ervas) viralizou na Internet. Ele foi suspenso por três meses e perdeu seu maior patrocinador.
Foi o estopim para uma mudança radical no comportamento do atleta. O temperamento difícil somado aos novos hábitos de celebridade resultariam em um desgaste com Bob Bowman, seu treinador desde os 11 anos de idade, considerado pelo nadador como um segundo pai. A relação seguiu ruim até a Olimpíada de 2012, mas, para disputar a competição, os dois mantiveram a crise em segredo. O momento conturbado não impediu Phelps de conquistar mais quatro ouros e duas pratas e chegar à marca de 22 medalhas, 18 de ouro: se tornou o maior medalhista da história dos Jogos Olímpicos, superando Larissa Latynina, ginasta da antiga União Soviética entre 1956 e 1964, com 18.
A consagração não era o suficiente para fazê-lo feliz nadando: o norte-americano decidiu se aposentar após Londres. Ele mesmo conta, porém, que a sensação de alegria na aposentadoria duraria pouco. Em 2013, decidiu retornar às águas e pediu a Bowman para voltar a treiná-lo. Relutante, o antigo técnico aceitou, mas uma nova recaída tornaria tornou praticamente impossível a participação de Phelps em mais uma olimpíada: foi preso em setembro de 2014 pela segunda vez por dirigir alcoolizado. Suspenso por seis meses e fora da equipe norte-americana na Copa do Mundo de Natação de 2015, ele era considerado carta fora do baralho para a Rio 2016.  Na fase classificatória, ele mostraria que ainda podia surpreender: venceu os 200m borboleta, os 200m medley e os 100m borboleta na seletiva para os Jogos do Rio, e, assim, garantiu vaga para a quinta e - e ele diz última - Olimpíada.
Ser porta-bandeira dos Estados Unidos na cerimônia de abertura já seria homenagem suficiente para o maior nadador de todos os tempos, mas ele queria mais. Os resultados na Rio 2016 deram a Phelps o fim de carreira de ele sonhava. Individualmente, chegou à 13ª medalha de ouro, o que o levou a quebrar um recorde de 2160 anos, superando Leônidas de Rodes, um dos mais famosos atletas olímpicos da Antiguidade, que havia conseguido 12 ouros no atletismo, até então o recorde de vitórias individuais da história das Olimpíadas.
"Estes Jogos são a cereja que queria colocar no meu bolo", disse Phelps, que que quer tempo agora para seu bebê Boomer, crescer, e ficar com a família -antes do Rio, Phelps também se reaproximou do pai, Fred. O desafio do rei das piscinas é encontrar um lugar confortável para sua vida fora dela. Já falou em lutar por boas condições para nadadores pelo mundo e até ser professor de natação ou salva-vidas. "Quero que as crianças estejam mais seguras na água. Se posso ensiná-los a nadar, será um grande êxito."

sábado, 27 de agosto de 2016

Adam Rogers / Nova York

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Adam Rogers
Nova York

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Adam Rogers is a contributing Photographer for By Such and Such, and also creator of soon-to-be published photo essay book: “A Thread of Two Cities.”