quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Nicolás Maduro engana

Nicolás Maduro

Maduro engana

O atraso injustificado do referendo revogatório blinda o chavismo





O regime venezuelano está demonstrando por meio dos fatos sua nula disposição para encontrar uma solução negociada para a gravíssima paralisia institucional que atinge a Venezuela e está provocando uma profunda fratura social de consequências imprevisíveis.

A decisão de realizar — caso finalmente seja organizado — o referendo revogatório de Nicolás Maduro depois de 10 de janeiro do próximo ano implica que, independentemente do resultado, o chavismo permanecerá no poder ao menos até 2019. Trata-se de uma autêntica fraude à lei: as instâncias administrativas controladas pelo Governo venezuelano prolongaram injustificadamente todas as etapas previstas na legislação — criada, aliás, pelo próprio Hugo Chávez — para impedir que, caso Maduro perca o referendo, o chavismo não tenha outra escolha a não ser aceitar a vontade popular e deixar o poder.
Maduro já deu inúmeras demonstrações de que uma coisa é defender o povo nas diatribes lançadas em seus discursos e outra é acatar o mandato popular. Ele está sempre disposto à primeira, mas se recusa sistematicamente à segunda. O desprezo e a falta de consideração com que o presidente venezuelano e seus colaboradores tratam a Assembleia Nacional — ou seja, a representação legítima da soberania escolhida nas urnas — não é apenas uma questão de falta da mais elementar cortesia política, mas é um ataque indesculpável ao funcionamento normal de uma democracia. O poder Executivo não pode governar por decreto como se o Legislativo não existisse. Isso é algo que acontece em ditaduras, e até mesmo muitas delas mantêm minimamente as formas.
Além disso, no caso do referendo, há elementos que são uma autêntica zombaria tanto à lei quanto àqueles que legitimamente pedem a consulta. O prazo de três dias concedido à oposição para voltar a conseguir o número necessário de assinaturas — 20% do censo eleitoral total, alcançando também 20% do censo de cada uma das províncias —, com um horário hábil absolutamente ridículo (das 8h às 12h e das 13h às 16h) e um número totalmente insuficiente de máquinas verificadoras de identidade implicam que milhares de pessoas ficarão sem poder rubricar a convocação, mesmo querendo fazê-lo. Maduro e o Conselho Nacional Eleitoral, controlado pelo chavismo, são perfeitamente conscientes disso. Pesquisas mostram que cerca de 10 milhões de venezuelanos estão dispostos a votar a favor da destituição do presidente, que seria apoiado por cerca de três milhões de seus correligionários.
A esta altura, seria desejável que a mediação internacional, como aquela patrocinada até agora pela Unasul com figuras como Ernesto Samper, Martín Torrijos e José Luis Rodríguez Zapatero, ou outras, conseguisse que o regime libertasse os presos políticos e permitisse a realização em tempo hábil do referendo, evitando assim o beco sem saída ao qual a frustração política e a carestia econômica estão levando o país.


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Os bebês em caixas de papelão na Venezuela


Os bebês em caixas de papelão na Venezuela


Imagem de seis recém-nascidos em berços de papelão num hospital simboliza colapso do país





MAOLIS CASTRO
Caracas 26 SET 2016 - 12:00 COT



Uma foto se tornou contundente testemunho das carências da Venezuela. Seis bebês dormindo dentro de caixas de papelão no hospital Domingo Guzmán Lander, no Estado de Anzoátegui, são um verdadeiro retrato da crise no país petrolífero. A foto destruiu a versão do Governo do presidente Nicolás Maduro, que insiste em desmentir os que denunciam um colapso. A imagem, captada com um celular, circulou vertiginosamente pela Internet.

A primeira reação oficial desencadeou críticas. Nelson Moreno, o governador chavista do Estado de Anzoátegui, disparou uma proposta inesperada em relação à deficiência no hospital: “Não há má-fé nisso. Se vão colocar numa caixinha, pegam uma caixinha, com muita criatividade, decoram-na bem, arranjam-na como uma cestinha e a colocam lá, ao lado da mamãe”.
A foto reflete uma continuação da crise venezuelana. Em agosto, a Relatoria da ONU para a Saúde se manifestou a respeito do preocupante aumento das mortes de bebês no país. A taxa de mortalidade entre recém-nascidos na Venezuela passou de 0,02% em 2012 para 2,01% em 2015. No ano passado houve 4.903 mortes de neonatos sobre um total de 243.638 nascimentos, segundo relatório do Ministério da Saúde. Muitos médicos dizem que a causa das mortes é a falta de recursos nos hospitais e a escassez de 85% dos medicamentos, impossibilitando contar com as condições sanitárias mínimas para proteger os bebês.
Enquanto a crise hospitalar piora, o Governo de Nicolás Maduro é acusado de ir contra os denunciantes. Manuel Ferreira, diretor de Direitos Humanos da coalizão de oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD) em Anzoátegui, afirma que os médicos do hospital Domingo Guzmán Lander são intimidados por ter feito a foto. O Instituto Venezuelano de Seguros Sociais (IVSS), organismo encarregado da administração do hospital, responsabilizou uma médica por colocar os recém-nascidos em caixas. Segundo a versão governamental, na semana passada havia sete incubadoras disponíveis para acomodar os bebês. “O instituto procederá da forma administrativa cabível nesse tipo de falha e prestará a colaboração caso outras instituições tenham que realizar as investigações pertinentes”, diz Carlos Rotondaro, presidente do IVSS. Segundo o deputado de oposição Tomás Guanipa, os médicos suspeitos de divulgar a foto foram intimados pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) para ser interrogados.

Caixões de papelão

A precariedade se arraigou na Venezuela. As medidas econômicas do Governo Maduro e a queda dos preços do petróleo aprofundaram a crise. Os prognósticos são desanimadores. O Fundo Monetário Internacional estima que o país encerrará este ano com uma inflação de 720%, enquanto continua a dependência do petróleo e da importação de produtos. Ao drama econômico se soma o social. As caixas não suprem apenas a falta de incubadoras nos hospitais. Muitas famílias recorrem a caixões de papelão para enterrar seus mortos, diante do alto custo das urnas feitas de madeira ou metal.
Foi na cidade de Barquisimeto, no Estado de Lara, que surgiu a iniciativa de fabricar ataúdes de papelão. “Neste momento, morrer empobrece muito. O biocaixão é econômico e acessível aos venezuelanos que não têm dinheiro para enfrentar este momento”, comenta Elio Ángulo, que projetou o caixão.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Morre o dramaturgo norte-americano Edward Albee

Edward Albee
Morre o dramaturgo 
norte-americano Edward Albee

Autor de ‘Quem Tem Medo de Virginia Woolf?’ foi premiado três vezes com o Pulitzer



SANDRO POZZI
Nova York 17 SET 2016 - 10:39 COT


Edward Albee será lembrado sempre pela maestria ao romper as regras dos bons modos, mostrando com seu humor amargo uma visão pungente da vida americana. O dramaturgo estadunidense, autor da célebre Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, morreu em sua casa em Long Island depois de sofrer uma breve doença. Três vezes premiado com o Pulitzer, ele tinha 88 anos de idade.

Sua carreira teatral começou com The Zoo-Story (A História do Zoológico) (1958), quando tinha 30 anos. Sua enigmática e mais aclamada obra chegaria quatro anos depois. Foi selecionada para o Pulitzer depois de estrear na Broadway. Mas o sucesso veio por via indireta com os múltiplos prêmios recebidos por Elizabeth Taylor na adaptação da peça para o cinema.
Edwsard Albee

Mike Nichols levou Quem Tem Medo de Virgina Woolf? Ao cinema em 1966, com Richard Burton e Elizabeth Taylor liderando o elenco. A atriz ganhou o Oscar um ano depois. Albee, considerado um dos melhores dramaturgos dos Estados Unidos, recebeu o primeiro Pulitzer por A Delicate Balance (Equilíbrio Delicado), em 1967, que também foi levada ao cinema, com Katharine Hepburn e Paul Scofield como estrelas.
Albee ganhou outros dois Pulitzer com Seascape (Paisagem Marinha) em 1975, e Three Tall Women (Três Mulheres Altas), em 1994. O autor nasceu na Virgínia em 1928. Com duas semanas foi adotado por uma família em Nova York. Abandonou a casa quando ainda era adolescente. Albee integrou a geração de dramaturgos que incluía Tennessee Williams, Arthur Miller e Eugene O´Neill. A morte foi confirmada por seu assistente, Jakob Holder.
EL PAÍS



sábado, 24 de setembro de 2016

Assédio virtual de Marion Cotillard, vítima colateral do divórcio de Brangelina


Marion Cotillard

Assédio virtual de Marion Cotillard, vítima colateral do divórcio de Brangelina

Leitura machista feita nas redes é que a culpa pela ruptura é dela ou de outras mulheres


VERNE
21 SET 2016 - 18:55 COT







Marion Cotillard

O anúncio do divórcio entre Angelina Jolie e Brad Pitt já gerou mais de 2,5 milhões de menções no Twitter. Todo mundo tinha algo a dizer sobre isso, como se conhecessem os dois pessoalmente. Entre as especulações infundadas sobre as causas da ruptura alguns apontaram para uma hipotética infidelidade dele com a atriz francesa Marion Cotillard. As hordas de usuários não demoraram para começar uma campanha de assédio virtual nos perfis dela nas redes sociais, especialmente no Instagram.








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Me esta dando bastante vergüenza los comentarios que está recibiendo Marion Cotillard en Instagram 🙃

“Está arrasada, não é verdade”, disse um representante de Cotillard, que negou os rumores sobre essa suposta infidelidade durante uma filmagem. “Essas alegações falsas a quebraram completamente”, insistiu depois de lembrar que a francesa tem um companheiro com quem tem um filho e está esperando outro.
As redes não se importaram, já tinham dado seu veredicto e a campanha de assédio já tinha começado no Instagram, embora também havia quem a defendia. Os usuários foram até as fotografias publicadas por ela até sete semanas atrás para insultá-la através dos comentários. Fizeram o mesmo em sua conta oficial de Facebook, embora não seja usada desde 2008.
Esse tipo de ataque em massa com viés machista pode chegar a destruir a vida da vítima, como aconteceu com a jovem italiana que cometeu suicídio na semana passada. Mas voltando ao caso desses famosos, na feira de especulações sobre o motivo da separação de Jolie e Pitt, a maioria dos rumores apontou sempre para um lado: as mulheres.
The Atlantic fez o exercício de analisar várias notícias publicadas sobre o assunto. Diziam que Jolie bebe vinho diariamente, que quase não come, que fuma muito, que tinha deixado Pitt aterrorizado por seus problemas de saúde, que era muito ciumenta, etc. Além disso, se era preciso procurar causas externas, todas tinham a ver com o perfil sedutor de várias mulheres (Cotillard, Lizzy Caplan, Gwyneth Paltrow). Como se, caso tivesse ocorrido uma infidelidade, Pitt tivesse sido uma vítima, um sujeito passivo, também reflete Mic.
Depois de se conhecer a notícia na terça-feira, muitas das reações nas redes imaginaram a antiga namorada de Pitt, Jennifer Aniston, celebrando o momento como uma doce vingança. Aliás, houve quem a apontou também como possível culpada como vingança contra Jolie pela suposta infidelidade que há 12 anos teria sido o início de seu relacionamento com Pitt. Em meio à avalanche de tuítes nesse sentido, houve quem considerou necessário esclarecer alguns conceitos:




Todos hablan de "karma" y estuvieron juntos 12 años. Señores Jennifer ya lo superó, ustedes también deberían hacerlo

Todos falam de “karma” e ficaram juntos por 12 anos. Senhores, Jennifer já superou, vocês também deveriam fazer o mesmo.




brangelina: are divorcing
ppl: must be jennifer aniston's or marion cotillard's fault!

yes let's blame every woman he ever interacted with


brangelina: estão se divorciando
pessoas: deve ser culpa de jennifer aniston ou marion cotillard.
sim, vamos culpar todas as mulheres com que ele se relacionou na vida